Na segunda vez que nos vimos, eu olhava apreensiva para aquela esquina, medo de não vê-lo, eu acho.
Lá estava você, com o costumeiro cigarro em sua boca pequena, hoje meio avermelhada. De uma mordida talvez.
Você assegurou que estar solteiro.
Dessa vez o abraço foi mais apertado, depois de tantas horas no telefone, a intimidade cresceu.
Já no seu quarto, não havia mais espaço para disfarces e contratempos.
Minhas mãos em suas pernas, suas mãos em minha cintura, talvez um pouco mais abaixo. A essa altura já não se sabia onde estavam nossas bocas, percorriam rápido, boca, pescoço, nuca. Em alguns lugares a boca se demorava mais; lugares sem nome nem endereço.
Hoje quem deu a mordida fui eu. Vi indícios de outra, mas só estávamos os dois ali, naquela hora, nada mais importava, eu já nem mais pensava. Não havia mais nada que não fosse você, eu e sua cama.
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