Olho aquela esquina que tantas vezes nos encontrou.
Da primeira vez eu não te conhecia, fui andando pela rua, olhando, procurando e lá estava você, cigarro entre os dedos, encostado de qualquer jeito no poste; all star e blusa pólo, uma bermuda jeans para o calor.
Você me reconheceu daquela foto que lhe mandei, largou do poste, deu uma última tragada e me olhou.
Atravessei a rua, livro em punho, “Memórias de minhas putas tristes”, cabelo solto, franja no olho e o vestido negro para a ocasião.
Abraço, beijos constrangidos e desajeitados na bochecha.
Você me daria ótimas palavras num poema e me roubaria todas elas num beijo dessa boca que me levava dos pensamentos. Tão pequena e carnuda. Eu precisava protegê-la com meus beijos; e manter os olhos longe de você.
No seu quarto, em cima da sua cama, éramos olhares desconhecidos se conhecendo em esbarrões propositais.
Desfilo por seu quarto fingindo mexer em seus livros estocados em desarmonia na estante. Você repara, conversa, me questiona sobre minhas opiniões,crenças, costumes e conhecimentos.
Sai para fumar, volta na porta para uma olhada, eu peço um trago. Você observa meu modo de levar a fumaça para os pulmões e soltá-la enquanto te olho e devolvo o cigarro sujo do meu batom vermelho; você nota e não se importa, leva de volta para a boca e sai para se desfazer dele e voltar para mim.
Nesse jogo de timidez, olhares, sorrisos e pequenas manias.
Nenhum comentário:
Postar um comentário