sexta-feira, 25 de maio de 2012

Muffin

Estávamos no sofá da sala. Minha cabeçaapoiada em seu colo. Suas mãos em meu cabelo. Nosso casamento chegava ao fim, não éramos realmente casados, mas havia mais coisas dele na minha casa, do que na sua.
- Acho que foi culpa minha. - Deixei escapar um de meus pensamentos desconexos.
- Não houveram culpados.
- Os dois deram as mãos e pularam juntos, certo?
- Isso. No início foi tudo muito quente, nos consumimos.
- Vai embora logo! Se não, será mais difícil desacustumar.
Afinal, eram cinco anos juntos, logo, fazia parte da minha vida enroscar meu pé no dele à noite, colocar a mesa para dois, ter sempre alguém comigo no banheiro. Coisas simples, que depois de tanto tempo pareciam não pareciam ser diferentes.



                                                                     ****

Quatro meses depois, eu já havia desapegado de quase tudo, era fato que a casa andava quieta demais e ninguém fazia um muffin como o dele. Mas estava tudo bem.
João bateu-me à porta.
- Oi! - Abri um sorriso largo demais.
- Não dá!
- Como?
- Minhas roupas têm seu cheiro, as que não tem, estão com o cheiro daquele sabonete que você colocava entre elas, que eu tanto odiava. É verdade que você me deixava louco quando me chamava de joão Gabriel com aquele seu tonzinho... - Ele fez uma careta. - Mas depois de tanto tempo tentando entender suas loucuras, seus pensamentos não saem dos meus.
Ficamos em silêncio.
- Senti falta de você falando sem parar! Prepara uns muffins pra mim?

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Diálogo

- E se nós não dermos certo? - Perguntei à Paulo
- Você nunca se importou com isso.
- E você nunca gostou de se arriscar.
- Não é bem assim.
- Paulo, você sempre disse que não trocaria a segurança pela incerteza.
- Isso é verdade, mas apesar de tudo, eu me sinto "seguro" com você.
- Apesar de tudo? - Lhe fiz uma careta rindo
- Você me entendeu! - Paulo beijou-me rindo
- Mas acho que estamos fazendo bem.
- Concordo. Além do mais sempre quis saber como é um boquete de aparelho.
Gargalhadas.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Na terceira

No terceiro encontro, já tinhamos passado da fase da conversa virtual, telefonemas e mensalidades, horas a fio  em conversas bobas, pré-preliminares.
Eu ainda me ria de tudo me você.
Já passado, também, os beijos comportados, as mãos respeitosas, preliminares, feito!
Ríamos os dois.
Seu sorriso de fumante, na boca desenhada pela barba densa, um olhar pequeno, sonolento.
Eu olhava, mas não deveria, apreciava o que não podia, pegava o que não me pertencia.
Beijei o imbejável, escutei o inádivel, sussurrei...
Descobri o prazer em mim.
Fumamos juntos.
Você queria me contar sua semana.
Eu queria ouvir.
Acabados os cigarros, você foi comprar mais e eu voltei, sozinha.



Agora aquela é sua esquina. Dos beijos, cigarros, piadas, olhadas e esquinas.
Agora, ela é só sua e eu continuo a voltar sozinha.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Na segunda

Na segunda vez que nos vimos, eu olhava apreensiva para aquela esquina, medo de não vê-lo, eu acho.
Lá estava você, com o costumeiro cigarro em sua boca pequena, hoje meio avermelhada. De uma mordida talvez.
Você assegurou que estar solteiro.
Dessa vez o abraço foi mais apertado, depois de tantas horas no telefone, a intimidade cresceu.
Já no seu quarto, não havia mais espaço para disfarces e contratempos.
Minhas mãos em suas pernas, suas mãos em minha cintura, talvez um pouco mais abaixo. A essa altura já não se sabia onde estavam nossas bocas, percorriam rápido, boca, pescoço, nuca. Em alguns lugares a boca se demorava mais; lugares sem nome nem endereço.
Hoje quem deu a mordida fui eu. Vi indícios de outra, mas só estávamos os dois ali, naquela hora, nada mais importava, eu já nem mais pensava. Não havia mais nada que não fosse você, eu e sua cama.

Três dias, uma esquina e nunca mais

Olho aquela esquina que tantas vezes nos encontrou.
Da primeira vez eu não te conhecia, fui andando pela rua, olhando, procurando e lá estava você, cigarro entre os dedos, encostado de qualquer jeito no poste; all star e blusa pólo, uma bermuda jeans para o calor.
Você me reconheceu daquela foto que lhe mandei, largou do poste, deu uma última tragada e me olhou.
Atravessei a rua, livro em punho, “Memórias de minhas putas tristes”, cabelo solto, franja no olho e o vestido negro para a ocasião.
Abraço, beijos constrangidos e desajeitados na bochecha.
Você me daria ótimas palavras num poema e me roubaria todas elas num beijo dessa boca que me levava dos pensamentos. Tão pequena e carnuda. Eu precisava protegê-la com meus beijos; e manter os olhos longe de você.
No seu quarto, em cima da sua cama, éramos olhares desconhecidos se conhecendo em esbarrões propositais.
Desfilo por seu quarto fingindo mexer em seus livros estocados em desarmonia na estante. Você repara, conversa, me questiona sobre minhas opiniões,crenças, costumes e conhecimentos.
Sai para fumar, volta na porta para uma olhada, eu peço um trago. Você observa meu modo de levar a fumaça para os pulmões e soltá-la enquanto te olho e devolvo o cigarro sujo do meu batom vermelho; você nota e não se importa, leva de volta para a boca e sai para se desfazer dele e voltar para mim.
Nesse jogo de timidez, olhares, sorrisos e pequenas manias.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O corpo fala


Ela pôs um ponto final na conversa, ou melhor, na relação, ela corrigiu-se exaltada.
Aquele não era seu primeiro ponto. Já houveram outros.
Porém para mim todos os outros não haviam sido pontos e sim vírgulas, talvez pontos e vírgulas, mas pontos não.
Era ela que gritava e exasperava do jeito que só ela sabia fazer, reconquistando-me novamente.
Mas apesar de tudo, era ela que chorava e era eu o que estava sempre errado.
Por fim não havia razão, nem loucura;
Não havia pontos ou vírgulas.
Eu ou ela.
Só nós dois. E seus trejeitos de prazer.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O peso do mundo sobre meus ombros

Pesa sobre meus ombros o peso desse mundo.
Meus ombros pesam.
Com o peso o ombro se encurva em direção a meu corpo.
Ombros caídos que me impedem de ver;
Não olho para frente. Nem para trás. Ou paar os lados.
O peso é meu.
O que pesa são meus ombros.
Que já se curvaram à dor.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Beijada

Seu beijo de culpa é o melhor de todos.
Seus lábios ficam endurecidos, molhados, seu beijo se torna mais quente do que qualquer coisa.
Sujo de outra. Culpado por traição. Punido a me amar.
Seu beijo de culpa é o melhor de todos.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A luz do sol ele levou

Roubando seu sorriso do meu olhar

Levando aluz do meu dia

E deixando de me amar

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Esse

Sempre que eu vejo algo sobre um anti-heroi, me lembro de você. Sei que vai dizer, que isso é ridiculo, porque eu sempre lembro de você, seja qual for a circunstância, ou que eu esteja olhando ou ovindo e mesmo que seja só por ter visto uma pessoa que é a cara da sua esposa. Tudo me leva a lembrar do teu rosto.
Mas você foi meu anti-heroi. Aquele cara que eu não sei direito quem é, mas afinal de contas quem se importa com isso? você foi aquele cara engraçado que me fez te olhar em camera-lenta, com um soriso no olhar. Você foi aquele cara que assistia filme comigo via telefone, viamos o mesmo filme, você em sua casa e eu na minha; você me explicava o que eu não entendia e fazia "shiu" quando eu falava  demais.
Meu anti-heroi! Quem me explicou o que era um anti-heroi de verdade e adorou fingir que adorou ser chamada de " Meu anti-heroi favorito"
Lembro-me de você, porque não convém esquecê-lo. Lembro-me, porque se esquecê-lo, não terei mais em quem pensar, pra me destrair com o sofrer por você.
Lembro-me de você, porque estou escrevendo para você.

PS.: Até que poderia ser melhor, mas o que melhor pra falar de você pra você usando de palavras que não são minhas?!

O terrível fato de eu ser eu mesma

Ele foi entrando quieto.
Eu observei cada passo seu do balcão.
Deu um sorriso falso e educado para a garçonete, sentou-se numa mesa no final do café-bar.
Pôs a bolsa na mesa, tirou um pequeno caderno e começou a escrever.
Não resisti, larguei meu posto no balcão e fui até lá servi-lo.
- Você sempre usa esses lugares como fonte de inspiração? - Enchi sua xícara com café.
- Não pedi café.
- Tinha que pedir algo de qualquer forma.
- Tudo bem! - Ele deu um meio sorriso amarelo.
Será que eu progredia?
- Não respondeu minha pergunta. - Testei seu gosto, em como ouvir mulheres.
- Não vim buscar inspiração, não acredito nisso.
Ia ser mais difícil do que eu pensava.
- E como escreve?
- Não é uma fórmula matemática, não tem um jeito certo ou errado.
- E  o que faz aqui? Solitário no canto de um café-bar meia boca?
Ele sorriu.
- Está tentando algo comigo?
- Se você estivesse buscando inspiração.
- Eu posso usar você. - Ele sorriu novamente.
Fez uma pequena pausa eu ia falar. Ele não permitiu.
- Uma menina infeliz, mais inteligênte do que aparenta. Trabalha nun café-bar, sabe lá Deus o que é isso. Infeliz, qualquer olhos podem notar isso. Mas nenhum desses mesmos olhos conseguem enxergar nada do que está escondido por detrás de sua beleza, como uma mistura de italiana e india. linda!
Ele parou defalar. Deu um sorriso escondido, daqueles que damos quando falamos algo e esperamos que a outra pessoa sorria com comentário.
Eu não sorri! Queria, mas não sorri. Estava distraida pensando que por pouco eu tive chances de ter um homem maravilhoso e ter perdido essa mesma chance, na mesma hora.
Fiquei triste por não poder tê-lo. Lhe dei um olhar que demonstrava tudo que eu sentia. Não sei se ele entendeu e penso nisso até hoje.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Outra só pra você

Fico tão sem graça
Quando a graça em você
É o te querer.

E os filmes que vi
Só pra te dizer

Das músicas que ouvi
Pra cantarmos juntos

Do que me tornei
Só pra você

E o que não sou
Que se torna outro.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Encontrar...

Não sabia que seria assim. Foi horrivel, aquela sensação indescritivel e que talvez,  nem se eu quiser, consiga sentir novamente.
Você estava ali, tão próximo de minhas mãos tão distante da minah boca, com a mente tão fora de  mim e eu com a mente em você.
Vi seu olhar olhando o meu, perseguidor, não negue, vi claramente quando você sentiu meu olhar esperando o seu. Você olhou, me reencontrou numa duração de milésimos de segundo e se foi novamente como se não me tivesse visto.
Foi ai que vei a segunda sensação depois de te ter ali, tão próximo depois de tanto tempo, ali, aqui. Simplesmente foi-se embora, sem despedidas, nem sorrisos, aqules seus sorrisos que dizem: "estou indo" como se não fosse nada;
Pedi desesperadamente a pessoa que estava comigo para que fossemos embora, ela pediu explicações, eu te olhei. Ela perguntou o que eu tinha, eu te olhei. Ela avisou que estava falando comigo, eu respondi: " ela sempre rouba tudo de mim, até minha atenção.
- Como? - A pessoa perguntou.
- Não sei como, desde que ele chegou não tenho mais nada, roubou até minha consciência.

sábado, 7 de janeiro de 2012

De mim


- Vou me arrepender disso um dia.
- Do que?
- De ter te ensinado, a ser assim, saber pegar no lugar certo, o momento certo de falar...
- Por quê?
- Porque, quando eu te largar, eu nunca mais te terei de volta.
- Explica!
- Eu te ensinei a ser tudo o que uma garota quer e quando nós terminarmos, vou me arrepender depois de um tempo e você não vai mais me querer de volta.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Do clichê


Fábio olhou para Anne, ela forçava um sorriso que parecia machucar suas bochechas e arrancar sua pele.
- O que está fazendo?
- Tentando ser feliz.
- E como está indo?
- Não muito bem, eu perdi uma coisa.
- O que?
- Não sei, por isso não encontro.
  Anne fechou o sorriso e continuou a falar:
- Como serei feliz se não sei o que perdi. E como encontrá-lo?
Fábio a abraçou
- Se você não encontrar aqui, então eu também vou perder.